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Freguesia de Gouviães

Situada no extremo noroeste do concelho, é um grande outeiro de cume pedregoso, descendo, de um lado, para o vale de Ferreirim, e da outra banda caindo mais rapidamente para o vale do Barosa, que a limita e sueste. Dista sete quilómetros da Cidade de Tarouca e é composta pelas povoações de Gouviães, Eira Queimada e Ponte da Ucanha.
A agricultura é a principal ocupação dos habitantes de Gouviães: cereais (centeio e milho), batata e árvores de fruto (principalmente macieiras, figueiras e oliveiras). Em determinadas épocas do ano pesca-se a truta e o bordalo.

Elementos de interesse na freguesia são a Casa do Paço ou da "honra" de Gouviães e um túmulo aberto na rocha, na Quinta de S. Bento. Os velhos ofícios permanecem guardados por artesãos cesteiros e soqueiros.
A "honra de Gouviães" foi criada antes de 1146 por D. Afonso Henriques para o seu monteiro Paio Cortês e sua mulher D. Ximena Pais, e abrangia a maior parte da actual freguesia de Gouviães, voltada para o rio (a parte oposta, a zona da Eira Queimada, era-lhe estranha, embora viesse a ser "tomadia" dos senhores de Gouviães desde pelo menos o séc. XIV-XV). Ainda hoje, a residência senhorial é lembrada aí, na casa do Paço.

Mosteiro de S. João de Tarouca

Foi o primeiro mosteiro da Ordem de Cister em Portugal, remontando a fundação a 1144. A igreja, de três naves, transepto saliente e uma profunda capela-mor totalmente remodelada no século XVII, apresenta uma abóbada de berço que repousa em robustos pilares de granito.
O acervo da igreja inclui o túmulo trecentista de D. Afonso Sanches, bastardo de D. Dinis, tábuas de Gaspar Vaz e um cadeiral em talha dourada, do século XVIII.
São de destacar as imponentes ruínas do dormitório e o conjunto de condutas subterrâneas relacionadas com o sistema hidráulico do convento.

Este mosteiro, tal como o de Salzedas pertenceu à Ordem dos monges Bernardos. Data do século XIII a sua fundação e a ele anda ligado o nome de D. Afonso Henriques. Obra colossal no seu conjunto e interessante nas suas partes, é tão valiosa e notável que tem prendido a atenção dos estudiosos na matéria.

Ponte Fortificada de Ucanha

Esta insólita fortificação, além de rodeada de certo mistério, é única, na sua arquitetura, em todo o território português. Descendo por estrada íngreme e estreita, quase entaipada por casas de granito, o viajante depara subitamente com uma enorme torre de base quadrangular, apresentando um estreito arco e túnel que é necessário atravessar antes de penetrar na ponte.

O Carnaval

Em Lazarim a tradição do Carnaval ainda é como era em tempos antigos. Sinónimo de folguedo, máscaras e licenciosidade, o Carnaval celebra-se entre comadres e compadres que envergam máscaras típicas feitas artesanalmente em madeira de amieiro por quatro homens da aldeia. As máscaras são sempre diferentes de ano para ano e cabe aos seus portadores idealizarem as vestimentas que as acompanham. O Entrudo é precedido pela Semana dos Compadres e das Comadres - as duas associações que tentam reunir fundos para os festejos e que vão preparando, em completo segredo, as quadras destrutivas do testamento que será lido na Terça-feira Gorda. No Domingo Gordo à tarde começa a grande folia. Os caretos vão chegando, cada um com o seu disfarce. Tocam as bandas, reúnem-se os carros alegóricos, dançam os ranchos folclóricos, desfilam os gigantones.
Na Terça-feira Gorda apresentam-se em público os compadres e as comadres: uns de papel colorido, recheados de pólvora e foguetes que são imolados pelo fogo no final da festa e outros de carne e osso que, ao lerem o testamento, se "defrontam" numa luta verbal de rimas onde não falta a malandrice e as tiradas picantes. A rivalidade entre sexos serve como principal pano de fundo à libertinagem linguística.
Terminado o ajuste de contas e imolados os bonecos, prossegue o cortejo até ao local onde o fogueteiro dá por encerrado o Entrudo. Resta apenas a feijoada, o caldo de farinha e o vinho.
Acredita-se que o Carnaval tenha origem nas Saturnais romanas, tendo adquirido diversas variantes ao longo dos séculos. É uma quadra em que se festeja a chegada da Primavera e o consequente renovar da vida.